As Transformações Geradas pela Internet das Coisas

Em setembro deste ano, a revista The Economist trouxe uma excelente série de artigos sobre o impacto da Internet das Coisas (IoT) nos negócios. Faço aqui uma síntese das ideias-chave desse especial.

A quase onipresença de computadores e dispositivos eletrônicos de baixo custo permitirá às empresas obterem dados do mundo real, tal como as empresas de tecnologia obtém hoje do mundo virtual. O conhecimento vai ser cada vez mais preciso em campos que era difuso ou incompleto.

Um exemplo disso que já acontece atualmente é a Rolls-Royce, que desde 1962 oferece o modelo de cobrança pela disponibilidade de seus equipamentos. Com a transformação digital, seus produtos começaram a poder ser monitorados em tempo real, aumentando a previsibilidade de quebra e promovendo manutenções preventivas com mais precisão. Imagine o efeito do compartilhamento de informações sobre o sono por colchões inteligentes ou de dados sobre exercício físico com companhias de seguros de saúde ou do modo de direção com companhias de seguro automotivo.

Smart TVs já assistem a quem as assiste, monitoram conversas e enviam dados sobre escolha de programas. Esses dados, tratados por sistemas de aprendizado de máquina e vendidos a desenvolvedores ou a anunciantes poderia por si só pagar as próprias televisões.

 

Cada vez mais as empresas, mesmo as mais tradicionais, se aproximarão das empresas de tecnologia. E isso trará uma série de questões polêmicas sobre propriedade, dados, vigilância, privacidade, concorrência e segurança.

Em 2017, uma fabricante americana de Smart TVs (Vizio) foi multada em US$ 2,2 milhões por não solicitar adequadamente aos seus usuários a permissão para coletar e revender dados sobre hábitos de consumo de programação.

A Roomba, empresa de robôs aspiradores de pó, causou muita polêmica ao sugerir que poderia compartilhar os mapas das casas dos seus proprietários com Amazon, Google ou Apple. Empresas como a Tesla, por exemplo, têm suas fábricas conectadas aos carros, mesmo depois que eles são vendidos.

O prédio da Siemens em Zug, na Suíça, tem centenas de sensores que podem medir temperatura, luminosidade, consumo de energia, presença e calor dos corpos das pessoas no ambiente. Isso possibilita maior eficiência energética, ajustando níveis de iluminação e também maior ou menor refrigeração a depender da área.

Se integrados com os celulares ou crachás (coisa que a Siemens diz ainda não fazer), é possível monitorar individualmente por onde cada empregado circulou no dia.

Outra possibilidade para as tecnologias de rastreamento de pessoas é a monitoração do comportamento de clientes, que pode medir padrões de circulação em lojas, tempo de espera em aeroportos e frequência em igrejas, por exemplo. A previsão do tamanho do mercado para este tipo de dispositivo é de US$ 3,2 bilhões para 2023.

As empresas conseguirão precificar melhor os riscos de cada cliente por seus comportamentos e hábitos, gerando grandes ganhos de competitividade, o que é um grande incentivo para adotar este tipo de tecnologia, independentemente do quão intrusivo os clientes achem.

 

A computação vive sua terceira onda, depois de entrar em governos e grandes empresas depois da Segunda Guerra Mundial e de entrar nas casas de todas as pessoas com computadores pessoais, laptops e smartphones. Agora todo o resto será computadorizado: de colchões a marcapassos.

Muito da Internet das Coisas já está disponível, mas de modo muito concentrado no mundo, tal como no começo da era dos microprocessadores, em que 1MB de armazenamento de dados custava US$ 85 mil (em valores atuais) e hoje custa US$ 0,00002.

O que pode parecer muito distante, em poucos anos pode passar por grandes transformações, pois para a Internet das Coisas funcionar são necessários dispositivos eletrônicos embarcados (embutidos nos aparelhos), conexão de dados e capacidade de processamento de dados. E esses três fatores têm tido sua disponibilidade aumentada e custos reduzidos.

Esse movimento exigirá que setores mais tradicionais se aproximem e acrescentem tecnologia como um dos elementos fundamentais de seu modelo de negócio e que se preparem para lidar com processos de decisão compartilhados com stakeholders, envolvendo valores e princípios.

Pode até ser que seus efeitos ainda não estejam sendo sentidos por seu mercado, mas essas mudanças começam de modo localizado e são viabilizadas com a redução exponencial dos custos, o que já começou. O que você está fazendo para preparar o seu negócio para esta onda?

 

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