Plano de Negócio: as primeiras contas que empreendedores devem fazer

Toda vez que eu passo por uma empresa que fechou as portas pouco tempo após sua inauguração, fico com um grande incômodo e me pergunto: o que pode ter dado errado? Problemas com a estratégia? Posicionamento de mercado? Comunicação e marketing ineficientes? Má gestão das equipes? Falta de controles? Má análise e gestão de riscos? A lista pode ser extensa…  Mas, quando o tempo entre a abertura e o encerramento da atividade é muito curto (menos de um ano), é muito provável que tenha sido uma má programação do uso dos recursos financeiros. Ou seja, um plano de negócio mal elaborado ou, até mesmo, não elaborado.

Muitos empreendedores colocam excessivo foco no dinheiro que precisam para investir no negócio, o que chamo de orçamento de implantação. Entretanto, se esquecem ou dão menos importância ao que chamo de orçamento de operação. Esse orçamento nada mais é que a programação do fluxo de caixa e a preparação para cenários adversos da evolução da demanda, fluxo de clientes e vendas. É uma parte do que se chama de plano de negócio.

plano de negócio
Photo by William Iven on Unsplash

E por que se dá menos atenção ao orçamento de operação? Porque o orçamento de implantação está mais sob controle, pois os levantamentos e cotações podem ser feitos antes de qualquer comprometimento com a operação do negócio. Já o orçamento de operação é uma incógnita, envolvendo incertezas e ambiguidades. Um exemplo disso são as próprias pesquisas de mercado, que mostram o potencial da demanda, mas não são ferramentas de previsão do futuro, que acertarão quantos clientes irão comprar do seu negócio. Isso depende de vários fatores, como estratégia, comunicação, atendimento, qualidade dos produtos e serviços etc.

Além disso, o orçamento de operação envolve modelos de planilhas e simulações mais sofisticados. Muitas vezes esses são terceirizados para consultores, o que não é problema, desde que você entenda o que significam os números como um todo e não só os números finais. Você precisa entender o significado das premissas e o impacto de mudanças nessas premissas financeiras. Senão, ou estará operando com uma falsa sensação de segurança ou estará amplificando o medo dos riscos sem necessidade.

Portanto, como empreender requer correr riscos de modo calculado, é fundamental que os empreendedores façam essas contas e elaborem cenários alternativos (inclusive pessimistas) para o seu plano de negócio. É fundamental fazer simulações variando as premissas do modelo, como projeções de vendas e receitas e suas taxas de crescimento. Com esta prática, você terá maior visibilidade do volume de recursos de que precisará dispor e também vai te levar a um mapeamento e análise de fontes alternativas de recursos e de crédito. Esses cálculos também darão uma noção muito boa das suas metas e desafios comerciais e financeiros.

Como já comentei anteriormente, atenção: estes cálculos não são suficientes para assegurar que o negócio não quebre! Mas, seguramente diminuem muito a chance de assumir riscos muito altos ou negociações que envolvam o comprometimento de mais recursos do que o disponível.

 

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