Modelo Mental Base Zero

Recentemente li um livro chamado The Big Zero, que traz uma proposta de transformação do Orçamento Base Zero (elaborar orçamentos partindo do zero e não fazendo extrapolações de anos anteriores) para um modelo de crescimento, inovação e vantagem competitiva. A essência da ideia tem dois componentes: o primeiro é ver a organização segundo uma lógica financeira:

  1. Receita;
  2. Custo de Vendas;
  3. Pessoal (direto e indireto);
  4. Custos Administrativos.

A partir desta estrutura, vem o segundo componente: maximizar o resultado partindo da mentalidade base zero para cada um dos itens. Portanto: (1) a análise da receita torna-se Comercial Base Zero; (2) custos de vendas tornam-se Cadeia de Suprimentos Base Zero; (3) custos de pessoal tornam-se Organização Base Zero e (4) custos administrativos tornam-se Gastos Base Zero.

Comercial Base Zero implica avaliar: (1) preços praticados; (2) resultado financeiro por tipo de cliente e; (3) a experiência que precisa ser entregue ao cliente-alvo, considerando sua demanda de valor. A premissa aqui é que alguns clientes podem estar dando prejuízo ou consumindo tempo, energia e recursos sem dar resultados compensatórios, enquanto clientes de alto potencial podem estar sub-atendidos, sem ter esse potencial comercial desenvolvido adequadamente.

Cadeia de Suprimentos Base Zero é a visão sistêmica da produção, gestão de fornecedores e logística focando na redução sustentável de custos no médio prazo, usando três pilares: (1) preços e custos de produção; (2) desempenho e eficiência e (3) geração de valor, que é o espelho do comercial base zero em termos do processo produtivo.

Nos Gastos Base Zero a chave é a visibilidade dos custos administrativos e gerais, com a criação de planos de contas com granularidade suficiente para a visibilidade de custos e alocação adequada para diagnósticos e providências acurados.

Organização Base Zero implica redesenhar atividades, competências, processos e pessoas, seguindo a lógica de fazer:

  1. o trabalho certo, criando oportunidades de automatização e padronização e eliminando processos que não agregam valor para o cliente-alvo ou que já não são mais necessários;
  2. do tamanho certo, focando no exercício e desenvolvimento de competências-chave e terceirizando atividades não essenciais;
  3. com a estrutura certa, baseada no novo tamanho e considerando a automatização e novos processos;
  4. com as pessoas certas, potencializando a parceria entre pessoas e máquinas/inteligência artificial, buscando as competências necessárias para fazer o trabalho certo, do tamanho certo, na estrutura certa.

Seguir este roteiro não garante o sucesso, mas pode possibilitar reflexões e gerar ideias interessantes para aplicação imediata, tanto com foco em mudanças de curto quanto de médio prazo.

De todo modo, vale um alerta importante: estas mudanças precisam de um forte trabalho de gestão de mudanças por parte das lideranças. Nas fases iniciais exigirá boa comunicação e mobilização das equipes. Durante o processo requererá monitoramento sistemático, com reforço do feedback para ajustes de rumo e de desempenhos insatisfatórios e do reconhecimento e de comemorações para manter a mobilização das pessoas na rota da construção do futuro.

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